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Yonne Leão: o legado joalheria autoral da Yonne Design

  • Foto do escritor: Vitória Régia Borges
    Vitória Régia Borges
  • 21 de set. de 2025
  • 5 min de leitura

Uma Jornada de Paixão, Resiliência e Criação Única


Nesta entrevista exclusiva, mergulhamos no universo de Yonne, a mente criativa por trás da Yonne Design. Conheça a inspiradora trajetória de uma ourives que transformou desafios em oportunidades, construindo uma marca autoral que celebra a singularidade e a emoção em cada peça. Descubra como a paixão pela joalheria artesanal moldou sua vida e continua a inspirar criações que contam histórias.



Foto: Vitória Régia Borges


Trajetória e História


Yonne, como começou sua relação com a ourivesaria? Foi paixão à primeira vista ou algo que amadureceu com o tempo?


"Meu primeiro contato com o mundo das joias foi em 1979, em Recife. Eu trabalhava com joias de fundição, revendendo de porta em porta. Em menos de um ano já havia me tornado atacadista, lidando com joias industrializadas. Mas, no fundo, eu tinha um grande sonho: criar joias autorais. Naquele tempo, era muito difícil, porque em Recife não havia cursos acessíveis, e eu ainda tinha minha filha Palone pequena, o que me impediu de ir a São Paulo estudar.


Em 1981, finalmente viajei a São Paulo e fui direto às fábricas. Comprei prata e busquei novas formas de trazer algo diferente das semijoias que circulavam. Aos poucos, fiquei conhecida em Recife por apresentar joias diferentes sempre puxando pela criatividade. Foram 18 anos trabalhando como distribuidora de joias em prata, bijuterias e folheados.


Em 1996, a vida me trouxe para Natal. Cheguei com três filhos e, apenas 12 dias depois, perdi meu marido em um acidente de carro. Foi um momento muito duro. Para sustentar a família, precisei buscar outras formas de renda, chegando a trabalhar no segmento de fast-food. Mas a minha verdadeira paixão sempre foram as joias.


Foi em 2002, aos 42 anos, que dei um passo transformador: fiz um curso com o ourives Romero. Foi quando finalmente comecei a criar minhas próprias peças artesanais. Cada joia era feita à mão, com amor e energia, e logo se tornava especial também para quem a usava. Essa autenticidade fez com que minhas peças fossem rapidamente reconhecidas e desejadas."


"Cada joia era feita à mão, com amor e energia, e logo se tornava especial também para quem a usava. Essa autenticidade fez com que minhas peças fossem rapidamente reconhecidas e desejadas."


Ao longo dos anos, qual foi o maior desafio em se firmar como ourives e criadora de uma marca autoral?


"Meu maior desafio sempre foi lidar com as adversidades do público. A joia artesanal é voltada para um público muito seleto, e nem todos apreciam esse estilo. Leva tempo para conquistar uma clientela alternativa, um nicho realmente específico e até hoje esse continua sendo um dos maiores desafios do meu trabalho."


Quando nasceu a Yonne Design e qual foi a inspiração para o nome e identidade da marca?


"A minha marca carrega a minha essência. Desde o início, escolhi usar meu nome artístico Yonne e assim nasceu a Yonne Design. Para mim, era importante que a marca tivesse essa identidade pessoal, refletindo diretamente quem eu sou e o que crio."


Foto: Vitória Régia Borges


Criação e Inspiração


De onde vem a sua inspiração para criar peças únicas? Há símbolos, memórias ou elementos que sempre aparecem em suas coleções?


"Acredito que minha inspiração seja um dom de família, algo que está no nosso DNA. Venho de uma linhagem do Jardim do Seridó, e sinto que essa herança criativa me acompanha desde os meus antepassados."


Como é o processo criativo da ideia inicial até a peça final?


"Minhas inspirações nascem da minha mente criativa e se conectam profundamente com a natureza. Gosto de explorar formas orgânicas e detalhes únicos, sempre com um olhar clínico para criar algo que ainda não existe.


O meu processo criativo muitas vezes começa com uma conversa com o cliente. Mas é quando vou para a bancada que a verdadeira magia acontece. Ali, as ideias surgem no momento, e quase sempre o resultado supera a ideia inicial. Eu adoro essa espontaneidade da criação, quando a peça vai se revelando diante de mim."


"Ali, as ideias surgem no momento, e quase sempre o resultado supera a ideia inicial. Eu adoro essa espontaneidade da criação, quando a peça vai se revelando diante de mim."


O que diferencia uma joia feita à mão por uma ourives de uma peça produzida em larga escala?


"É muito diferente de uma joia de fundição. Na criação artesanal, cada peça é única. Mesmo quando tento repetir um modelo, nunca consigo fazer exatamente igual e é justamente isso que dá alma e autenticidade ao meu trabalho."


Foto: Vitória Régia Borges


Tradição e Modernidade


Quais técnicas tradicionais você faz questão de preservar no seu trabalho?


"Na bancada, não uso tecnologia: tudo é feito à mão. Quando existe amor pela profissão, também existe amor pelo nascimento de cada joia. Para mim, é quase uma terapia ocupacional o prazer está em fazer, no amor pelo ofício. Às vezes, quando se recorre a técnicas em 3D, sinto que se perde um pouco dessa energia que coloco em cada criação. Por isso, a maior satisfação é justamente esse processo manual, cheio de vida."


"Na bancada, não uso tecnologia: tudo é feito à mão. [...] Por isso, a maior satisfação é justamente esse processo manual, cheio de vida."


Ao mesmo tempo, como a Yonne Design dialoga com as tendências contemporâneas?


"Na joalheria, as cores das gemas seguem tendências sempre há as pedras do ano em evidência. Mas acredito que cada designer imprime o seu próprio estilo. Eu, por exemplo, gosto de estar em movimento, mudando, misturando tendências que unem o rústico e o moderno. Também adoro combinar gemas lapidadas com gemas brutas, criando contrastes que deixam cada peça ainda mais especial."



Foto: Vitória Régia Borges


Público e Emoção


O que você sente quando vê uma cliente usando uma peça Yonne Design?


"Sinto-me realizada, como alguém que cumpre uma missão. Cada cliente é única e especial, e esse contato constante com elas me inspira. A joia carrega sempre um valor sentimental, e poder participar dessas histórias dá ainda mais sentido ao meu trabalho."


"Sinto-me realizada, como alguém que cumpre uma missão. Cada cliente é única e especial, e esse contato constante com elas me inspira."


Qual foi o momento mais emocionante que já viveu com uma joia sua sendo entregue ou usada?


"Um dos momentos mais marcantes foi no início da minha carreira, quando passei a acreditar em mim como ourives. Antes, eu era apenas empresária, e já cheguei a perder tudo em empreendimentos. Mas, como ourives, encontrei uma profissão que ninguém pode tirar de mim. Hoje vivo dela, e isso é parte da minha identidade e da minha vida."




Futuro e Legado


Como você enxerga o futuro da joalheria artesanal no Brasil? E Que legado gostaria de deixar com a sua arte, novos projetos, coleções ou sonhos que estão prestes a se realizar?


Foto: Vitória Régia Borges


"O meu legado é o amor pela profissão. Minha filha, Palone Design, já faz parte dessa história e solidificou sua própria marca, da qual tenho muito orgulho. A joalheria é um segmento milenar, que se reinventa o tempo todo, e estar inserida nele me dá a certeza de que faço parte de algo maior.


Meu sonho é continuar buscando novos conhecimentos e repassar tudo o que aprendi. Quero que minhas criações estejam sempre em evidência, que expressem movimento, transformação e desafio constante. Muitas coleções ainda virão, trazendo novas técnicas que irão enriquecer ainda mais esse caminho.


E, se pudesse realizar um grande sonho, eu daria oportunidade a muitos talentos. Sei bem o quanto é difícil entrar nesse mercado no início, também senti os desafios. Às vezes falta chance para pessoas talentosas que acabam desperdiçadas, e seria uma alegria poder abrir portas para elas."


"O meu legado é o amor pela profissão. Minha filha, Palone Design, já faz parte dessa história e solidificou sua própria marca, da qual tenho muito orgulho."


"E, se pudesse realizar um grande sonho, eu daria oportunidade a muitos talentos. Sei bem o quanto é difícil entrar nesse mercado no início, também senti os desafios. Às vezes falta chance para pessoas talentosas que acabam desperdiçadas, e seria uma alegria poder abrir portas para elas."




 
 
 

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